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Recife pelo Transporte e pelo passinho

27 Fevereiro /Centro Popular de Direitos Humanos / Transporte Público

Nós, da Articulação Recife pelo Transporte, que estamos lutando por um transporte justo e de qualidade, acreditamos que o aumento consecutivo das passagens de ônibus, ano a ano e muito acima da renda da população, não é um problema apenas financeiro. O aumento tarifário é parte do sistema que define quem pode ir para onde na cidade, quem pode acessar o direito à educação, à saúde e especialmente ao lazer. Isso porque é capaz de definir quem pode pagar - ou não - pelo transporte público. É o que chamamos de Direito à Cidade. Quem pode viver a cidade na sua plenitude? E quem não pode?

Isso, a nosso ver, é também uma das formas de precarizar e mesmo vetar o acesso de quem mora nas periferias das cidades aos espaços centrais e às áreas consideradas "nobres". É um modo de diminuir a circulação de parte da população pela cidade e definir onde podem ou não estar. Nesse contexto, parte de quem é mais afetado por esse sistema segregador é a juventude negra, que, além de não ter o acesso garantido para ocupar os espaços da cidade por conta de uma passagem cara e segregadora, tem suas expressões artísticas também cerceadas.

É o que temos visto acontecer, por meio de várias denúncias e testemunhos, com o "Passinho" em áreas públicas, porém em espaços considerados "nobres" da cidade, como o Parque da Jaqueira, na Zona Norte do Recife. Expressão de dança vinculada ao brega-funk, o Passinho tomou características próprias na nossa região e se tornou marca de vários jovens moradores de bairros periféricos da região metropolitana do Recife, em especial a juventude negra. No entanto, o Passinho vem sendo perseguido por agentes do Poder Público em áreas que deveriam também ser públicas. No caso, públicas para quem? Para as famílias brancas de classe média? Quem pode acessar esse espaço? Quem pode ser expulso dele?

Nós entendemos que as tentativas de proibição do Passinho nas áreas públicas "nobres" e o aumento das passagens são parte de um mesmo sistema que visa comprimir e privar a ocupação da cidade pelas juventudes negras. Assim, a Articulação Recife pelo Transporte coloca-se contra qualquer forma de cerceamento da dança do Passinho e a favor de sua expressão em quaisquer espaços públicos da Região Metropolitana do Recife e defende que o lugar da juventude negra e do passinho é onde ela quiser!

Vamos ocupar as ruas e todo o espaço público com o passinho!
Ocupa tudo!