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O sentimento de injustiça toma conta dos moradores da Muribeca

28 June /Popular Center of Human Rights / Muribeca , Direito à Moradia

As opiniões dos moradores que lotaram a escola Edson Moury ontem são divididas, uns querem indenização, outros clamam pela reconstrução de suas moradias. Mas uma sensação une a todos: a revolta. Seu José Francisco, falou indignado ao microfone, “Nós queremos nossas indenizações, depois que tudo tiver derrubado a gente perde nosso direito”. Já Fátima Vânia deseja voltar para o bairro. Atualmente ela mora em Prazeres, com o auxílio moradia que recebe.Mas seu sonho é voltar para a Muribeca: “Minha luta é para voltar, aqui é ótimo de morar. Quando meu esposo saiu daqui ele adoeceu”. Fátima deseja a reconstrução de sua moradia, pois acredita que com o valor da indenização não conseguirá outro imóvel na qualidade do que tinha antes. 

Na reunião, o movimento Somos Todos Muribeca levou parceiros advogados do Centro Popular de Direitos Humanos e arquitetos/urbanistas da Cooperativa Arquitetura Urbanismo e Sociedade para realizar demonstrações técnicas aos moradores de que a reconstrução do bairro é possível. “Não queremos atrapalhar o processo já em andamento, diz Marcelo Trindade, do Somos Todos Muribeca, “se for para ter indenização que seja dada. Mas queremos que o direito das pessoas que querem voltar seja respeitado”, completa. 

Os arquitetos e urbanistas da Caus, junto ao geógrafo Diogo Galvão demonstraram os estudos topográficos que vem sendo realizados na localidade, apontando divergências 

em relação ao argumento já utilizado na justiça de que a área dos conjuntos é alagadiça e por isso não poderia haver a reconstrução dos imóveis. Eles demonstraram que os estudos anteriormente realizados foram feitos apenas levando em conta a área dos canais, mas não do terreno do conjunto em si, que, segundo os cálculos são áreas mais altas do que as dos arredores e pouco alagáveis. Os próprios moradores relatam que não tem lembrança de que algum alagamento já tenha prejudicado suas moradias. 

Os advogados do Centro Popular de Direitos Humanos, por sua vez, falaram sobre o fato da área ser uma Zona Especial de Interesse Social, o que garante a finalidade de moradia popular para a área. “Quando a justiça diz que quer construir um parque na área, ela tá violando essa legislação”, afirma Thiago Scavuzzi, advogado popular. “Se indenizar todos os moradores o que vai ser feito dessa área?”, questiona. Os advogados populares se colocaram disponíveis para dar entrada em pedidos de regularização fundiária para todos os moradores que assim desejarem. “A gente tem que mostrar que a Muribeca tá viva e tem que respeitar o direito de todos”, termina Marcelo Trindade, morador e participante do Somos Todos Muribeca.